“Já que eu dou tanto trabalho, o certo era eu ter férias de mim.
“Então vão esfriando, se distanciando, disfarçando, deixando de lado, até que um dia acaba de verdade.
“Quando o sol bater na janela do teu quarto… lembra e vê que o caminho é um só. Por que esperar, se podemos começar tudo de novo agora mesmo? A humanidade é desumana, mas ainda temos chance… O sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer! Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só… até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo! Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor, e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só!
“De alguma forma, todos os dias alguém bate à nossa porta e nos convida a desistir.
“— E o que a gente vira quando vai embora de alguém?
E o Senhô respondeu:
— Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu. Outro só viram a esquina… E têm aqueles que nunca vão embora.
— Não? E eles ficam onde, Senhô?
— Na lembrança.
“— Porque choras, menina?
— Não estou chorando.
— O que estas fazendo, então?
— Estou transbordando.
— Transbordando? — Olhou-a curioso.
— Pessoas são como copos; vão acumulando tristeza, dor, saudade, mágoa… E uma hora ou outra, transbordam.